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Carta de Princípios
1. Nossa história
A Associação Brasileira de
Organizações Não-Governamentais -
ABONG,
fundada em 10 de agosto de 1991, é uma sociedade civil sem fins
lucrativos, democrática e pluralista, com sede e foro na capital
do Estado de São Paulo.
A
ABONG tem por
objetivos: promover o intercâmbio entre entidades que buscam a ampliação da
cidadania, a constituição e expansão de direitos, a justiça social e a
consolidação de uma democracia participativa; consolidar a identidade das
onGs brasileiras e afirmar sua autonomia; defender o interesse comum das
suas associadas e estimular diferentes formas de intercâmbio entre elas e
com instituições similares de outros países; informar sobre a atuação de
agências governamentais, internacionais e multilaterais de cooperação para o
desenvolvimento; combater todas as formas de discriminação; ser um
instrumento de promoção em âmbitos nacional e internacional das
contribuições das onGs frente aos desafios do desenvolvimento e da
superação da pobreza.
A constituição da ABONG
resultou da trajetória de um segmento pioneiro de organizações
não-governamentais que têm seu perfil político caracterizado por: tradição
de resistência ao autoritarismo; contribuição à consolidação de novos
sujeitos políticos e movimentos sociais; busca de alternativas de
desenvolvimento ambientalmente sustentáveis e socialmente justas;
compromisso de luta contra a exclusão, a miséria e as desigualdades sociais;
promoção de direitos, construção da cidadania e da defesa da ética na
política para a consolidação da democracia.
2. O momento atual
A Humanidade produziu um enorme desenvolvimento da Ciência e da tecnologia,
o que permite a construção de sociedades sem pobreza, com igualdade de
oportunidades e respeito a todas as diversidades, comprometidas com as
gerações futuras, a natureza e a paz.
Entretanto, o capitalismo, agora acentuadamente globalizado e sob o comando
do setor financeiro, vem aguçando planetariamente a exclusão, a miséria, as
desigualdades sociais, étnicas e de gênero, o consumo predatório e a crise
ambiental. Esse contexto tem favorecido o autoritarismo político, a
intolerância cultural, a desinformação e o belicismo. Tais características
ameaçam, em última instância, a sobrevivência da própria Humanidade.
Portanto, devem ser vistas como instigadoras de uma ação ampla nos campos
nacional e internacional, que agregue inúmeros atores sociais, comprometidos
com uma cultura de solidariedade e de respeito à diversidade e promoção da
vida.
A sociedade brasileira, escravista e patriarcal na origem, destaca-se
mundialmente por sua condição de injustiça e desigualdade social. Da família
às estruturas do Estado, a sociedade brasileira é marcada pelo
autoritarismo, pela discriminação e pelo machismo, o que compromete a
capacidade democrática de participação, o usufruto eqüitativo dos bens e
serviços produzidos, e criação e pleno exercício dos direitos humanos.
Essas circunstâncias adversas, no entanto, não devem obscurecer as imensas
potencialidades de construção de alternativas de desenvolvimento humano e
sustentável no contexto da globalização.
Como já se disse, os extraordinários avanços realizados pela Humanidade no
tocante à capacidade produtiva e ao desenvolvimento científico e tecnológico
criaram condições históricas sem precedentes para um desenvolvimento
centrado no ser humano e em bases compatíveis com a sobrevivência das
gerações futuras.
Por outro lado, a sociedade brasileira foi capaz de moldar uma cultura de
convivência entre seus elementos fundantes que cria oportunidades para a
afirmação da solidariedade, do respeito às diversidades, da rejeição de
todas as exclusões. Ao mesmo tempo, tem lutado, através da sua organização e
mobilização, para conquistar direitos e modificar a condição de exclusão e
injustiça social que vive a maioria da população.
A cidadania que vem sendo construída tem afirmado o papel essencial do
Estado como promotor do bem-comum e quer desalojar os interesses privados
nele incrustados desde os primórdios da nossa História, através da
participação democrática e autônoma das organizações da sociedade na
concepção e gestão de políticas públicas e pela construção de novas
estruturas de representação democrática.
3. Nossos princípios
Considerando a sua origem e o atual contexto histórico, a ABONG, junto com
suas associadas, defendem e se propõem a vivenciar os seguintes PRINCÍPIOS
como aqueles que afirmam a sua identidade frente à sociedade brasileira e
internacional:
A ABONG E SUAS ASSOCIADAS SE COMPROMETEM A:
- aplicar à sua prática os princípios da ética, impessoalidade, moralidade,
publicidade e solidariedade;
- buscar e defender alternativas de desenvolvimento humano e sustentável que
considerem a equidade, a justiça social e o equilíbrio ambiental para as
presentes e futuras gerações;
- lutar pela erradicação da miséria e da pobreza e se colocarem contra
políticas que contribuam para reproduzir desigualdades de gênero, sociais,
étnicas e geracionais;
- lutar pelos Direitos Humanos, que são uma conquista fundamental da
Humanidade, que tem o direito, coletiva e individualmente, de exercê-los e
ampliá-los;
- afirmar seu compromisso com o fortalecimento da sociedade civil,
defendendo a soberania popular, a cidadania e o pluralismo político, étnico,
racial, de gênero e de orientação sexual;
- afirmar sua autonomia perante o Estado e a sua independência diante dos
organismos governamentais, condicionando possíveis parcerias ao seu direito
e capacidade de intervir na discussão, formulação e monitoramento de
políticas;
- defender uma relação com a cooperação internacional baseada na autonomia,
solidariedade, respeito e transparência;
- contribuir para o fortalecimento de um "pacto de cooperação" baseado nos
valores explicitados nesta Carta de Princípios, bem como na solidariedade
Norte-Sul, Sul-Norte e Sul-Sul;
- reafirmar e vivenciar o seu compromisso com a transparência, o primado do
interesse público e a participação democrática interna, reconhecendo-os como
componentes essenciais da gestão das organizações a ela filiadas;
- estimular a parceria entre suas associadas e com outras organizações da
sociedade civil, de modo a racionalizar recursos e fortalecer ações
conjuntas, defendendo e lutando pela harmonia e respeito entre elas, de modo
a fazer dessa prática, referência exemplar na sociedade.
São Paulo, 29 de março de 2000
O Conselho Diretor da
ABONG
Compromisso
Público,
“O Portal da Cidadania”.
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