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Empresários fazem as suas escolhas
Mas a maioria ainda quer passar uma imagem de neutralidade e prefere associar seu nome ou de sua empresa a campanhas de incentivo à cidadania e ao voto

Por Liliana Lavoratti

 

Com o início do horário eleitoral na televisão e no rádio no dia 15 de agosto, começou o segundo ato da campanha presidencial. Daqui até 1o de outubro, quando cerca de 125 milhões de eleitores irão às urnas escolher seus governantes e representantes no Congresso para os próximos quatro anos,será um período marcado por várias iniciativas de empresários e da sociedade civil no sentido de influenciar o processo eleitoral. É um esboço de reação à ressaca em que o País mergulhou depois da sucessão de escândalos políticos no centro da cena há mais de doze meses.

Nesses cinqüenta dias que antecedem à data de votação, também será redobrada a atenção em torno das intenções de voto do eleitorado.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passa a compartilhar de maneira efetiva a corrida presidencial com o seu principal adversário, o tucano Geraldo Alckmin (PSDB).Até agora, as eleições presidenciais estiveram praticamente monopolizadas pelo presidente-candidato, que continua liderando a preferência da população, apesar do crescimento de seus oponentes e da possibilidade cada vez mais evidente de realização de um segundo turno.

Ao contrário das eleições presidenciais anteriores,onde a posição dos empresários foi declarada e pesou de forma decisiva para o resultado das urnas, desta vez demonstram pouco entusiasmo. Seguem o espírito geral da população, que se sente meio envergonhada de defender seus candidatos aos cargos no Executivo — governos federal e estadual — e representantes no Legislativo — Senado,Câmara dos Deputados e Assembléias Legislativas. São poucos os empresários que se animam a abrir o jogo e declarar o voto.

A maioria prefere participar de iniciativas de incentivo à cidadania e responsabilidade social das empresas no processo eleitoral,que surgiram às dezenas no País nos últimos meses e vendem a imagem de neutralidade político-partidária. Nomes de peso como o do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, Newton de Mello,presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas (Abimaq), e Oded Grajew, um dos principais dirigentes do Instituto Ethos, por exemplo,emprestaram seu prestígio à publicação “A Responsabilidade Social das Empresas no Processo Eleitoral”,lançada no último dia 7, em São Paulo.

“O objetivo dessa publicação é contribuir para que as eleições deste ano ocorram dentro de padrões éticos e estimular o cumprimento das leis para o aperfeiçoamento da democracia no País”, enfatiza Grajew, que há quatro anos foi um dos primeiros empresários a declarar voto no então candidato petista Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República.A publicação traz informações que ajudam o posicionamento das empresas na disputa eleitoral — não apenas para o Palácio do Planalto, mas também para governos estaduais, senadores, deputados federais e estaduais. Entre os patrocinadores do livro estão a Suzano e a Yázigi Internexus. O mesmo alvo tem o Portal Compromisso Público (www.compromissopublico. com.br), que reúne propostas dos candidatos nas atuais eleições para cargos no governo e Legislativo.A idéia é servir de ferramenta de prestação de serviços ao cidadão.O portal apresenta o político e informa o compromisso assumido pelo candidato. Essas informações ficarão disponíveis até o final da campanha e,no caso dos eleitos,até o final do mandato. Ao acessar o portal, o eleitor terá acesso direto ao e-mail do parlamentar ou governante.

Apenas nos primeiros três dias da campanha “Candidato, o Brasil espera o seu compromisso público”,o portal conquistou mais de 60 mil acessos e espera chegar a 600 mil consultas por mês entre agosto e setembro. Sucesso também está fazendo o blog Deu no Jornal (deunojornal. zip.net),um projeto da Transparência Brasil, uma organização não-governamental de combate à corrupção.Trata-se de um banco de dados com notícias de corrupção vindas de 63 publicações brasileiras desde janeiro de 2004.

Dentre as informações,o histórico da vida pública de candidatos de todos os partidos,em todos os estados,para todos os cargos das atuais eleições: presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais.Entre as “excelências”— como são chamados os perfis — mais visitadas estão o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, candidato a deputado federal pelo PT de São Paulo, o presidente da Câmara e candidato à reeleição, Aldo Rebelo (PCdoBSP), Paulo Maluf, que quer uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PP paulista, ACM Neto,do PFL da Bahia,também candidato à reeleição para a Câmara, a deputada petista Ângela Guadagnin (SP) —conhecida por ter comemorado a absolvição de um colega acusado de receber o mensalão com passos de dança no plenário da Câmara —, e outros que nem são candidatos, como Enéas, do Prona, e Celso Pitta,do PTB e ex-prefeito de São Paulo. Linha de atuação semelhante tem o Fórum da Liberdade, que existe há 19 anos em Porto Alegre e pela primeira vez se expandiu para outros estados, como o Paraná. De inspiração liberal e predominância de participação de jovens empresários e estudantes,o fórum está promovendo debates “para discutir alternativas viáveis para a solução dos problemas brasileiros”.

Compromisso Público,
 “O Portal da Cidadania”.